quarta-feira, 28 de junho de 2017

O MAL É UM ESTADO DE HIPNOTISMO JOEL S. GOLDSMITH



Podem os pensamentos errôneos surgir externamente como formas de pecado, doença e morte? 
Não, não podem. Apenas chegam a nós como aparência ou crença que aceitamos como sendo algo existente no exterior. 

Uma pessoa hipnotizada para enxergar um “poodle branco” no palco iria fazer com que o cão aparecesse realmente naquele lugar? Não. Nem juntando todos os pensamentos hipnóticos do mundo poderiam eles criar aquele cão. Mostrariam unicamente uma aparência ou crença, que seria vista pela vítima da hipnose como sendo um “poodle branco”.

Pensamentos errôneos jamais criam pecado, doença e morte: unicamente objetivam a crença na forma de “quadro ilusório” semelhante àquele do “poodle” no palco, crença que pode nos levar a dizer: “Como poderei me livrar dele?” Porém, se nem ali o cão se encontra, como poderia a pessoa ficar livre dele? 

Não existe pecado, não existe doença e não existe morte; assim, nem todos os pensamentos errôneos do mundo seriam capazes de produzir tais coisas. 

A crença universal numa egoidade apartada de Deus gera esse tipo de quadro falso, que, quando vistos por nós, atribuímos a eles substância, lei e realidade, coisas que não possuem. Estes quadros errôneos são tão irreais quando o “poodle branco” visto pela pessoa hipnotizada

Lembre-se: ela não estaria vendo o “poodle”: estaria só acreditando que o estivesse vendo.

Não haveria outro modo de “remover o “poodle”, a não ser através do despertar da pessoa do hipnotismo. Como? “Um com Deus é maioria”. 

Se alguém da plateia, com visão espiritual, desse uma gargalhada e dissesse que não estava existindo nenhum “poodle branco” no palco para dali ser retirado, a pessoa hipnotizada despertaria do sonho. Hipnose não é poder: é uma crença num poder apartado da Vida uma.

Quando nos defrontamos com alguma forma de doença, pecado, carência ou limitação, devemos rapidamente perceber: “Este quadro é um quadro hipnótico, e eu não tenho nada a fazer com ele”. Dessa forma não nos será difícil obter uma cura instantânea.

Não existe doença; existe somente um hipnotismo, somente um quadro hipnótico aparecendo como doença. 

A cura espiritual não emprega a Verdade para vencer o erro ou vencer algum poder maligno. “Levanta-te, toma a tua cama, e anda”. 

Não se trata de fazermos uso de um poder para curar doenças; o sentido é o seguinte: “Nada há para ser vencido”. 

O praticista de cura espiritual não desenvolve alguma técnica de utilização da Verdade para combater o erro ou tratar de doenças. 

O praticista, em si, é estado de consciência que sabe que Deus é a Realidade de todo Ser, e que todo o restante não passa de um estado hipnótico.





 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Meu Reino é a Realidade - Joel S. Goldsmith



Este mundo não é para ser temido, odiado ou amado: isto é a ilusão, e exatamente onde a ilusão está, encontra-se o reino de Deus, o Meu reino.


Meu reino é a Realidade. Isto, que meus olhos veem ou meus ouvidos ouivem, é a contrafação superposta, não existente como um mundo, mas apenas como conceito, um conceito de poder temporal.

Meu reino está intacto, 
Meu reino é o reino de Deus, 
Meu reino é o reino dos filhos de Deus, 
e Meu reino está aqui e agora.

Tudo que existe como um universo temporal é sem poder. Não é preciso que eu o tema, ou que eu o condene: minha única necessidade está em compreendê-lo.


















segunda-feira, 26 de junho de 2017

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA (Joel S. Goldsmith) - Capítulo 12 (Final) -





                       - Capítulo 12 (Final) -




O DESDOBRAMENTO DO BEM PELA ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Vamos começar a trançar os fios – estes fios de consciência – a fim de formar uma forte corda de conscientização e de compreensão, e trazê-la para a aplicação prática, ou em outras palavras, ter o Verbo feito carne.

Nosso esforço, nosso desejo, nossa prece, visa compreender a Deus. Isto significa compreender a infinitude, eternidade e imortalidade. Como Deus é o tema de nosso trabalho, de nossa compreensão e de nossa revelação, então a infinitude, a imortalidade e a eternidade devem ser a natureza de seu efeito em nossa experiência.

Poderá não ser hoje, amanhã, na próxima semana e nem no próximo ano que chegaremos a demonstrar a plenitude de Deus, a totalidade de Deus. Porém Deus é tudo; Deus é infinito, onipotente, onipresente, onisciente; e na medida de nossa conscientização deste fato, nós iremos demonstrando aquelas quantidades e qualidades da totalidade. Só porque ainda não completamos nossa demonstração de ascensão não significa que não tenhamos alcançado a visão de Deus. Quando a tivermos alcançado precisaremos seguir avante com paciência até chegar a hora em que Deus em Sua totalidade seja revelado na experiência da ascensão acima de todo mundo da crença.

Foi somente nos momentos finais do ministério de Jesus que ele pôde dizer: “Eu venci o mundo.” (João 16: 33). Assim, apenas no momento da ascensão, no momento em que tivermos atingido a plenitude da conscientização, é que nós, também, poderemos dizer: “Eu venci o mundo.” Mas isto não serve de desculpa para justificar nosso atraso nessa escalada de desenvolvimento e revelação. Não serve como desculpa esperarmos a aposentadoria para termos mais tempo, ou esperarmos o dia da morte, quando teríamos mais tempo ainda.

Nosso dia começa agora. E sendo este dia acompanhado continuamente de sucessivos dias de desenvolvimento da consciência, não haverá tal coisa como um dia de morte: será uma contínua experiência de desdobramento do bem.

Todos vocês que captaram esta visão de Deus como Consciência e da Consciência incorporando todo o bem – da Consciência governando e controlando a experiência individual, da Consciência como sendo a substância, a lei e a forma do ser individual e de toda a creação – podem começar a elevar a própria consciência ao discernimento espiritual das coisas de Deus.

A ATIVIDADE DA VERDADE NA CONSCIÊNCIA SE DESDOBRA COMO SEU BEM

Neste ponto você está subindo mais um degrau. Atinja esta visão: o bem de Deus; o bem que é a atividade de Deus; o bem que é um desenrolar, uma revelação e uma experiência de Deus é a atividade de sua consciência individual. Todo o bem que se manifesta em seu mundo – tudo de bom, onde quer que seja experimentado, onde quer que esteja sendo revelado ou entendido, tudo de bom que possa ter existido em qualquer lugar ou época, é a atividade de sua consciência individual. Não existe um Deus distante. Deus está mais próximo que nosso fôlego e mais perto que nossas mãos e pés. Qual a razão disso? É porque Deus constitui a consciência do indivíduo. Sob toda circunstância em que pareça haver necessidade da onipresença de Deus, conscientize que é a onipresença de sua consciência individual que constitui o Deus de seu universo.

Quando Eddie Rickenbacker estava abandonado num barco no Oceano Pacífico, não foi a consciência de seu mestre ou a consciência de seu praticista que lhe trouxe auxílio. Foi a consciência de seu ser individual, onipresente onde ele estava, que lhe possibilitou alcançar um pássaro para se alimentar, que lhe possibilitou arranjar um peixe no fundo de seu barco – o peixe havia pulado da água para dentro do barco – e que lhe possibilitou conseguir chuva num céu sem nuvens. Era a atividade de sua própria consciência aparecendo como alimento e como chuva. E foi a atividade de sua consciência que por fim apareceu como segurança.

É a atividade de sua consciência que aparece como saúde de seu corpo, como oportunidades nos negócios, como discernimento certo na hora certa, como encontro da pessoa certa no momento certo e nas circunstâncias adequadas. É a atividade de sua própria consciência aparecendo como sua experiência. Vamos perceber que: 

“Eu e o Pai somos um”. Deus é a minha consciência individual, e é a atividade de minha consciência individual que aparece a mim como lar, negócio ou dinheiro, ou como talento, genialidade ou habilidade. Tudo é atividade de minha própria consciência. O que tem-me separado de meu bem é a crença na existência de algo distante, um poder, um Deus “lá fora”, ou que havia alguma coisa que eu estava tentando alcançar e não podia.”

Realmente, você nunca irá alcança-la, até que conscientize que o reino de Deus está dentro de você e que este é o único lugar a se dirigir para a aquisição de algo: o seu interior, a sua própria consciência. Não faz a menor diferença qual possa ser a sua necessidade; não importa se ela é pequena ou grande; poderia variar desde uma agulha até uma âncora. Não há limites na demonstração de sua consciência: somente você coloca limites em sua atividade!

O OBJETIVO DA CONSCIÊNCIA É INFINITO

Se formos ao mar com um pequeno copo, poderemos voltar somente com um pequeno copo cheio de oceano, mas se levarmos baldes, teremos baldes cheios de oceano. O oceano é suficientemente grande para nos fornecer qualquer quantidade que necessitemos. Assim também ocorre com a Consciência, com Deus aparecendo como nossa consciência individual. Podemos nos dirigir àquela Consciência por algo pequeno, ou podemos ir a ela com grande objetivos, pois a Consciência, mesmo a consciência individual, sua e minha, é infinita em seu raio de ação.

A partir de agora, não fique apenas pensando sobre isso, mas ponha-o em prática de forma que, ao surgir alguma necessidade de qualquer nome ou natureza, você imediatamente se dirija ao interior de sua própria consciência num estado de receptividade com aquele “ouvido que escuta”, e deixe sua consciência expandir e revelar tudo o que for necessário em sua experiência.

Não devemos, contudo, nos esquecer, em todo esse buscar, do aspecto sobre o qual estamos falando. Não devemos retornar a um linguajar alegórico ou metafórico. Estamos removendo o véu do tema: “O que é Deus?”, revelando Deus como a consciência individual. Nunca volte a pensar n’Ele como sendo algo distante, algo que precise de preces ou de agrados sob qualquer aspecto. Pense em Deus como sendo a substância real de seu ser, que você pode atingir no silêncio e deixar manifestar como um mundo cheio de harmonia, paz e saúde.

A atividade da consciência individual aparece como demonstração sob toda a forma de bem que possa ser necessário e adequado para o momento. Lembre-se, porém, que a consciência não é a sua mente “pensante”; a consciência nada tem a ver com os pensamentos que você pensa; a consciência nada tem a ver com seu esforço individual físico ou mental. Quando eu falo de consciência, não estou me referindo ao intelecto ou à mente racional que serve somente como veículo, mas eu me refiro àquilo que realmente é a substância ou realidade da mente humana. Ao se dirigir interiormente a esta Consciência infinita de seu ser, dirija-se numa atitude de escuta, de receptividade, de esperar que Ela Se revele. Não é preciso dizer nada a ela; não é preciso pedir aquilo que você está precisando ou desejando. Se você conhece a sua necessidade, Ela também a conhece.

Sem qualquer palavra, sem qualquer pensamento, sem dar a Ela o nome da pessoa a quem deseja beneficiar, ou o nome da doença que você quer tratar, ou ainda sem especificar qual é a sua necessidade, volte-se interiormente numa atitude receptiva de que aguarda a resposta para certa pergunta, e permita que a Consciência Se manifeste e Se revele a você.

Isto não é fácil, eu sei, porém o caminho é este: é este o caminho do desenvolvimento; é este o caminho espiritual; é este o caminho pelo qual nos tornamos conscientes de nossa unidade com Deus.

CONFIE NA ATIVIDADE DE SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA

É possível para uma pessoa utilizar todas as afirmações da verdade que ela conheça e ainda assim obstruir a sua própria demonstração. Por exemplo, se ela estiver desempregada, suas afirmações serão em função de um emprego: “Eu trato dos negócios do Pai” ou “Eu estou empregado”. Mas poderia ocorrer de, naquele momento, a real demonstração ser justamente o fato de estar sem emprego, demonstração a qual estaria sendo limitada em razão da tentativa de se “demonstrar um emprego”.

Isso me faz lembrar de um amigo que vivia numa fazenda pela qual passaram duas ou três gerações de sua família. Sempre eu ficava pensando em quão duramente eles deviam ter trabalhado para desenvolver aquele pedaço de terra e retirar do solo a própria subsistência. Se eram religiosos, como devem ter orado para que algumas das pedras fossem removidas da terra, ou para terem mais resistência física para trabalhar na fazenda, ou ainda orado por um melhor tempo que fizesse render maior produção de batatas. Estou certo de que nos anos em que viveram na fazenda eles oraram bastante a fim de arrancar o seu sustento.

No entanto, a terceira geração que veio encontrou petróleo naquela fazenda! E agora a mesma fazenda já tem cinco poços de petróleo. Deu para perceber o significado dessa exemplificação? Nunca delineie sua demonstração à Consciência. Aquilo delineado poderá não ser o que a Consciência tem para você. Suponha que você faça um plano e ore para que Deus lhe dê forças para trabalhar em sua fazenda, para semear e plantar. Suponha que ore para que mais meia dúzia de trabalhadores apareça para ajuda-lo na colheita, onde exatamente se encontra o petróleo, à espera de poder jorrar. Deu para captar o sentido? Nunca diga à sua consciência o que você pensa a respeito do que deveria ser a sua demonstração, pois isso a impediria de operar livremente. Quase todos têm trabalhado arduamente por anos seguidos, e talvez isso pudesse ser evitado caso tivessem confiado que a atividade da própria consciência os conduziria rumo à demonstração.

Foi a atividade de sua consciência que formou o seu corpo. Não foi a atividade da consciência de algum Deus distante. Foi a atividade da consciência de seu próprio ser que formou oseu corpo. É a atividade da consciência que o tem conduzido através dos anos, e muito provavelmente, em algumas vezes, tem sido difícil para ela avançar contra os seus próprios esforços.

DEUS ESTÁ PERTO DE VOCÊ

Vamos relaxar na conscientização de que não temos que ir a terras distantes para encontrar Deus. Nossa busca por Deus não é realizada externamente no mundo. Você se recorda de quantas vezes os homens saíram em busca do Cálice Sagrado e de quantas vezes eles voltaram para casa cansados e doentes e foram encontra-lo em seus próprios jardins? A história do Cálice Sagrado é simbólica, ilustrando o fato de que eles estavam, na realidade, indo em busca de felicidade, paz, harmonia e alegria, mas que se enganaram ao tentar consegui-las no mundo, com todos os recursos humanos disponíveis – toda a força humana, todo o raciocínio humano e até com todo o dinheiro que tinham. Quando o mundo não pode dar a eles o que buscavam, quando a mente deles não pode dar a eles o que buscavam, quando toda a habilidade e dinheiro foram empregados em vão, foi então que eles voltaram para casa e puderam encontra-lo exatamente onde ele sempre tinha estado. Era todo o tempo a atividade da própria consciência deles e, quando abandonaram os meios do mundo, e exaustos abandonaram a busca, ele apareceu.

Algo de natureza semelhante é o que ocorre conosco quando dispendemos muito esforço ao darmos tratamento e nos sentimos cansados ou esgotados. A Consciência Se expande e nos diz: “Você é uma pessoa tola! Eu estava aqui o tempo todo.” Sim, às vezes nós mesmos nos ludibriamos de tal maneira.


A MENTE COMO UM INSTRUMENTO

Porém, embora a mente humana, a mente racional, não seja a consciência, nem por isso ela deve ser posta de lado ou destruída. Ela tem a sua posição. É ela que age para nós quando recebemos sabedoria e conhecimento da consciência. A direção, a orientação, a inspiração e o conhecimento vêm a nós individualmente por ação da consciência, e nossa mente e nosso corpo são utilizados como veículos de transporte daquele comando.

Portanto, não tentemos abolir a mente humana e nem parar de pensar. Muitas coisas maravilhosas nos vêm através do nosso pensamento, mas devemos deixar que ele seja inspirado por um processo espiritual da consciência. Deixemos a nossa mente serena enquanto ficamos “na escuta”. O escutar é uma atividade da mente humana, a qual pode ser utilizada para deixar a Alma ou Consciência aparecer. O ponto principal que gostaria de ressaltar aqui é sobre a capacidade que a Consciência tem de Se revelar a nós sem que necessite da mente pensante; esta última é usada para as ordens e orientações recebidas serem exteriorizadas.


ESTABELEÇA DIARIAMENTE A CONSCIENTIZAÇÃO DE DEUS

A Consciência somente se revela a nós quando estamos receptivos e mantemos a linha aberta. Neste trabalho, nós aprendemos a jamais sair de casa pela manhã sem que tenhamos feito o contato com a Consciência, ou sem que tenhamos recebido da Consciência algum impulso, algo que pareça nos dizer: “Tudo está bem. Vá em frente.” Pode vir também na forma de um senso de satisfação ou sentimento de paz. Talvez você dissesse: “Sim, mas ainda não sei que rumo tomar.” Mas não tem nada a ver. Siga adiante e faça o que estiver à mão, e, no instante em que forem necessários a Intervenção, Poder e Sabedoria divinos, você os encontrará disponíveis na forma mais adequada.

O ponto importante é mantermos aquele contato. O fato de você ter realizado hoje o contato não implicará necessariamente que estará conscientemente unido àquela Consciência por todo o tempo. “Neste mundo”, um mesmerismo universal ou sugestão universal é lançado em nossa direção nas vinte e quatro horas do dia. Esta crença universal vem a nós através dos pensamentos humanos, do rádio, dos jornais e da agitação geral da consciência humana. Nós somos envolvidos por um mundo-conceito tão forte que se torna mesmérico, capaz de nos separar da atividade de nossa própria consciência. Por isso, nos estágios preliminares deste trabalho, é necessário que façamos conscientemente a “sintonia” com bastante frequência.

Todos os que estão neste caminho deveriam aprender a nunca sair de casa antes de ter sentido aquele contato interior, não importa o quanto estejam ocupados, mesmo que fosse preciso se levantar uns quinze minutos mais cedo para realiza-lo. Mesmo que não haja uma sensação de que o contato tenha sido feito, é importante sentar-se por alguns instantes com ouvidos abertos, numa receptividade que dá as boas vindas a Deus. Em outras palavras, pelo menos nós podemos abrir nossa consciência, preparando-a para o que possa nos vir, e só então irmos rumo aos nossos negócios. Como já disse, nos estágios iniciais isto deveria ser repetido ao meio dia e à noite, ou seja, ao menos umas três vezes por dia. Também, se acordarmos durante a noite, devemos reconhecer que não se trata de mera insônia, mas que estaremos despertos e alertas para alguma finalidade. Esta finalidade seria nós fazermos a “sintonia” na quietude da noite, para recebermos algo que nos fosse necessário saber. Se não for para sabermos algo naquele momento, pelo menos nos foi dada uma oportunidade de estabelecer nosso contato. E isso é tudo de que necessitamos.

Quando sentimos ter perdido nosso contato com Deus, isto é devido ou às crenças do mundo, que são universais e de efeito mesmérico, ou aos nossos receios, dúvidas ou inexperiência em seguir a orientação interior. Um ou vários desses fatores contribuem para romper o nosso contato com a Consciência. Assim, ele deve novamente ser restaurado: temos que nos sentar e “escutar”; temos que estar silenciosos e receptivos; temos que nos conscientizar de que o nosso bem somente aparecerá como atividade de nossa consciência individual. Devemos sempre estar lembrados de que: "Meu bem se manifesta como atividade de minha própria consciência. É a atividade de minha consciência que aparece externamente na forma de saúde, harmonia, paz, alegria, cooperação, amizade, eternidade, imortalidade, vida, verdade e amor."

SUA CONSCIÊNCIA DETERMINA A SUA EXPERIÊNCIA

Você ficará surpreso ante as coisas miraculosas que acontecem a partir do momento em que você conscientiza ser o seu bem um desenvolvimento da consciência individual, a partir do momento em que você não fica mais aguardando a vinda de seu bem “daqui” ou “dali”, de pessoa, lugar ou coisa, ou a partir do momento em que você o aguarda como um fluxo da atividade de sua própria consciência individual. Milagres passam a acontecer a partir daquele momento, e eles realmente são milagres. A multiplicação dos pães e peixes é um exemplo do que ocorre quando, igual a Jesus, você se volta para o Pai – sua própria Consciência – e conscientiza que você não pode sair para comprar alimento suficiente para alimentar quatro ou cinco mil pessoas, e que portanto ele deve começar a fluir através de atividades de sua própria consciência.

Eu tenho visto repetidamente o que acontece às pessoas, quando elas se conscientizam de que todo o seu bem não pode vir a elas do “exterior”, e que nenhuma condição má externa consegue impedir o curso do seu bem até elas. Você acredita poder existir algo no mundo exterior capaz de impedir que sua consciência se desenvolva e se revele na forma de seu bem? Não existe. O mundo exterior não consegue atingir o interior de sua consciência para governa-la ou afeta-la.

As condições externas nos afetam somente quando acreditamos que nosso bem possa vir de pessoas, lugares ou coisas, isto é, de algo externo. Uma vez que reconhecido que o mundo “de fora” nada tem a ver com o desenrolar de nosso bem, já que nada “de fora” consegue atingir a sua atividade de aparecer em todas as formas de bem, então não poderá haver qualquer efeito de condições externas em nossa experiência.

Todo o reino de Deus está dentro de sua própria consciência! Todo o reino de Deus se desdobra a você do interior de seu próprio ser, e nada – nenhum grupo de pessoas, nenhuma forma de governo, nenhum tipo de economia – pode de alguma maneira entrar em sua consciência e impedi-la de expressar o seu bem individual. Como é maravilhoso saber que do início ao fim dos tempos teremos todo o bem de que necessitarmos continuamente a fluir pela atividade de nossa própria consciência, e que o seu desenvolvimento nunca depende de algo que esteja se passando no mundo exterior! Você percebeu como pôde Moisés fazer cair maná do céu e retirar água da rocha? Ou como Jesus conseguiu ouro na boca de um peixe? Aquilo foi possível por não ser, em absoluto, uma atividade do exterior. Era o desenrolar da própria consciência que apareceu externamente na forma necessária para o momento. Tanto Moisés como Jesus conheciam este segredo, o segredo de que tudo ocorre dentro da consciência.


“EU SOU” APARECE COMO FORMA

Salomão também conhecia este segredo. Anos atrás, num antigo livro trazido a mim em Boston, eu descobri a palavra secreta da Maçonaria, que havia sido perdida há muito tempo durante a construção do templo do rei Salomão. Estava escrito que naquela época os que se elevavam ao grau de mestre maçom recebiam a palavra secreta, a palavra que lhes possibilitariam viajar para qualquer parte do mundo, e esta palavra-chave identificá-los-iam como mestres.

A palavra foi perdida, e como não é mais usada na Maçonaria, ela não é um segredo. Realmente, poucos são os maçons que sabem algo a esse respeito. Porém o autor daquele livro, após muitos e muitos anos de pesquisa, descobriu que a antiga e perdida palavra secreta dos mestres maçons era “EU SOU”. EU SOU é aquela antiga palavra, e se os construtores daquele templo a tivessem conhecido, ela lhes teria garantido, onde eles estivessem, as maiores regalias – aquelas de um mestre maçom.


Este foi o segredo de Moisés, o segredo de Salomão e o segredo de Jesus:

"Eu sou. Deus é a minha própria consciência. Deus é a consciência individual, e onde eu estou, Deus está. Portanto, onde quer que eu esteja, o meu bem se manifesta. 'Se desço ao inferno, nele te encontras', porque se eu estiver lá, Deus estará lá, e meu bem se manifestará lá. Para onde irei a fim de me subtrair da tua presença?'. Como poderia eu sair de minha própria consciência? Enquanto eu estiver consciente, isto não poderá ocorrer. E é esta própria consciência – a atividade desta consciência que constitui o meu suprimento, as minhas oportunidades, a minha sabedoria – que me orienta e dirige."

É bastante poético dizer: “Ele está mais próximo que a respiração, e mais perto que as mãos e os pés”, ou “o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17: 21). Porém nós precisamos mais do que poesia, mais do que beleza de expressão para nos tornarmos concretamente cônscios de Deus, da natureza de Deus e da atividade de Deus em nossa experiência individual.

Quando você se habituar com a ideia de que a atividade de sua consciência lhe aparece em todas as formas de bem, será capaz de dar o passo seguinte e se conscientizar de que a atividade de sua consciência aparece como a saúde de seu paciente. Como há somente uma Consciência, e como um com Deus é a maioria, então o seu contato com a Consciência, sua conscientização de que a atividade de sua consciência aparece em todas as formas de bem faz com que esta atividade apareça como a saúde e a harmonia de seu paciente. Isto é o que faz com que as práticas metafísicas sejam possíveis.

Seja qual for a prática metafísica empregada para atingir um fim desejado, ela não consiste em uma transferência de pensamentos de um a outro indivíduo. Não se trata do uso de uma mente sobre outra, embora existam muitos praticista que pensem que estas atividades humanas de sugestionar ou influenciar aos outros são parte da prática metafísica. Na realidade não são. Se tais pessoas compreendessem a prática metafísica, prontamente veriam que é a própria conscientização de unidade com Deus que aparece como a saúde e a harmonia de seus pacientes. Não é o poder da vontade; não é o desejo do praticista de que o paciente fique bom; não é um praticista sugestionando um paciente: “você está bem e está ciente disso.” Nada disso é parte da moderna prática metafísica.


UNIDADE CONSCIENTE

A prática metafísica consiste da consciente unidade com Deus por parte do praticista, que aparece externamente como sua saúde, riqueza, sucesso e também como o bem daqueles que a ele se dirigem. O contato é feito quando uma pessoa pede ajuda ao praticista, seja para si mesma, seja para algum parente ou amigo. “Você me ajudará?”, ou, “você ajudará o meu filho?”, ou, “você ajudará o meu amigo?”. Basta isso; isso é o suficiente para estabelecer a unidade da consciência, trazendo o necessitado à consciência do praticista, e tudo que tomar lugar como atividade desta consciência será externamente expresso como harmonia e plenitude do paciente. Em outras palavras, seria fácil tomar a sala repleta de pessoas em minha consciência, como seria fácil para alguma delas ou todas elas se manterem fora. Isto é o que acontece quando observamos uma, duas ou três pessoas sendo curadas e você fica imaginando o porque de as outras seis ou sete não receberem a cura.

Aqueles que se curaram estavam de alguma maneira ligados ao praticista: estavam sintonizados nele, unos com ele, por simpatia ou por outra razão, de forma que se fizeram parte da consciência dele. Os outros, que não receberam a cura, provavelmente se sentaram pensando: “Eu gostaria que ele pudesse fazê-lo, mas será que ele pode?”. E com tal atitude se mantiveram do lado de fora. Na verdade, somente na crença é que eles se mantiveram fora, mas é desta maneira que não puderam se beneficiar com a atividade da consciência do praticista.

Não é que a pessoa, o paciente ou o estudante necessariamente se faça uno com a consciência pessoal do praticista, mas sim uno com a verdade. Ele se coloca mais ou menos na conscientização de que “Eu sou uno com a verdade; eu sou uno com a consciência da verdade; eu sou uno com a verdade que está aparecendo na forma deste praticista ou deste mestre.” Isto significa estar uno com a verdade, e não uno com a personalidade ou mente do praticista, uno com a verdade do indivíduo, com a consciência espiritual do indivíduo. E naquele senso de sintonia, de unidade, as curas ocorrem.

Quando você passar a conhecer que a verdade é a sua consciência individual, e que a atividade desta consciência aparece externamente como a harmonia do seu ser, ou como a harmonia de todos que se dirigem a seus pensamentos, então começam a surgir as curas. A cura é a prova desta mensagem, ou alguma mensagem, ser verdadeira ou não. O modo como esta mensagem é apresentada nada tem a ver com o fato de ela ser ou não verdadeira. Se for verdadeira deve resultar em harmonia e paz, em saúde, alegria, prosperidade e plenitude, ao menos em alguma medida em sua experiência individual e na experiência daqueles que o procuram solicitando ajuda. Esta constitui a prova de que a mensagem é verdadeira.

A função da verdade é dissipar a ilusão dos sentidos, e no momento em que nos colocamos neste caminho e compreendemos esta verdade, é esperado que iniciemos os trabalho de cura. Como poderia alguém falhar na realização das “maiores obras”, após ter entendido ser a atividade de sua consciência individual aquilo que aparece externamente como a saúde e harmonia do universo que o toca?

“Estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16: 17-18)
                              
                               FIM


TRADUÇÃO DE DÁRCIO DEZOLT









domingo, 25 de junho de 2017

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA (Joel S. Goldsmith) - Capítulo 11 -



                                                                

                          - Capítulo 11 -

          ESTADOS E ESTÁGIOS DE CONSCIÊNCIA




"Em seguida o Senhor estendeu a sua mão, tocou-me na boca e disse-me o Senhor: Eis que eu pus as minhas palavras na tua boca; eis que te constituí hoje sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares e destruíres, para arruinares e dissipares, para edificares e plantares." (Jeremias 1: 9-10)


Aquilo não foi dito a um homem; foi dito a um estado de consciência, um estado de consciência espiritual. Aquele estado de consciência não apenas arranca, mas também planta; ele destrói, mas edifica. A única coisa que é posta abaixo e destruída é um falso conceito, um falso conceito de Deus, um falso conceito de universo, um falso conceito de seu ser e corpo individual: O que é edificado é a conscientização de sua identidade verdadeira – um conhecimento do mundo e de tudo que nele está como realmente são.

Existem estados e estágios de consciência, e ao trabalharmos no mundo humano com nossos recursos humanos, sabedoria humana e força física, estamos vivendo em um estado material e através de um estado material de consciência.

Até a metade do século dezenove, o mundo estava em sua maior parte num estado de consciência material, quando então avançou para um estado mais mental de consciência. Sempre existiram algumas poucas pessoas que em certa extensão conheciam o reino mental – os artistas, escritores e visionários de todas as épocas. Quando o poder da mente atraiu em grande escala a atenção do mundo, durante a metade do último século, o mundo parecia estar pronto para avançar a um estado mental de consciência e passou a realizar mentalmente aquilo que antes era feito fisicamente. Em outras palavras, as curas do corpo que antes eram realizadas por remédios, ervas e ataduras, passaram a ser feitas por “pensamentos”, por sugestões mentais, e às vezes até mesmo por auto-sugestão. Vieram todos os tipos de tratamentos mentais, desde o hipnotismo até as mais leves formas de sugestão ou auto-sugestão.


O ESTADO MÍSTICO DE CONSCIÊNCIA

Através de todas as épocas, tem sido conhecido que além do material e mental, existe um terceiro tipo mais elevado de consciência, a consciência espiritual, atingida pelos místicos do mundo, por aqueles que conscientemente encontraram sua unidade com Deus. O misticismo é todo ensinamento ou religião que conhece a possibilidade de haver uma união consciente com Deus. Em seu sentido correto, o misticismo reconhece a capacidade de se receber, sem benefício ou ajuda externa, a comunicação com Deus, de comungar com Deus e receber diretamente Sua orientação. Nada há de oculto ou de misterioso no misticismo. Corretamente compreendido, o misticismo é a linguagem de todos os ensinamentos metafísicos, pois trata da unidade consciente com Deus.

O estado místico da consciência – consciente unidade com Deus – é o estado mais elevado que existe. Nele, a mente consciente que pensa apenas funciona como veículo da mente divina, da Sabedoria universal, que Se individualiza como sua e como minha mente.

Assemelha-se a um artista, que em momentos de elevada inspiração concebe um quadro de rara beleza: logo ele irá cristalizar aquela visão em uma tela, com a ajuda não apenas de suas mãos, mas também de sua mente humana, através de seus conhecimentos de cor, perspectiva e técnica de pintura. Com toda a sua habilidade ele executaria a ideia oriunda de sua percepção do infinito sentido espiritual do ser.

Da mesma forma, o tom, a melodia ou a harmonia que um compositor incorpora em seu trabalho também tem sua origem no Infinito, na Consciência universal, que Se individualiza como a obra deste compositor. Porém tal músico teria que fazer uso dos seus conhecimentos de teoria e harmonia musical, obtidos por ele individualmente, e através da mente humana teria de traduzir sua ideia na forma de uma peça musical, possível de ser executada por algum artista habilidoso na arte do instrumento musical pretendido.

O maior místico de todos os tempo foi João, o discípulo predileto. Foi quem escreveu: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1: 14). O verdadeiro místico não é um visionário no sentido de considerar algo impraticável, e este ensinamento não é o de um visionário que se põe sentado, com a cabeça nas nuvens. Aquilo pode ser permitido e ter a sua importância, desde que enquanto a cabeça estiver nas nuvens, seus pés fiquem firmemente plantados no chão, isto é, embora pareça algo intangível ou visionário para os sentidos, torna-se tangível como forma e demonstração.

Neste estado espiritual de consciência você não apenas sonha, mas tem visões e recebe ideias. Você não fala delas aos homens comuns, porque “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2: 14). É melhor retê-las na própria consciência, sempre trabalhando no seu desenvolvimento, até finalmente você receber a prova de que o Verbo se fez carne. Ele se torna tangível; Ele se torna visível; Ele habita entre nós como demonstração. No Caminho Infinito da vida, nós sempre estamos nos empenhando na aquisição de maior compreensão espiritual, e caminhando nessa direção, observamos como ela se torna tangível e visível em nossa experiência.

Ver espiritualmente é bem diferente de ver psiquicamente. Quando nos tornamos conscientes de experiência psíquicas, tais como ver cores ou ter visões, mesmo que elas possam ter alguma aplicação em nossa experiência humana, isto é, que possam ser usadas como profecia ou aviso, ou mesmo como orientação, lembre-se de que elas pertencem inteiramente ao nível psíquico ou mental da consciência. Esse tipo de experiência psíquica em nada se relaciona com o mundo do Espírito. Na literatura espiritual você nunca encontrará alguma referência a elas como sendo de natureza espiritual. Somente na literatura psíquica ou ocultista é que encontramos referências àquelas experiências.


O UNIVERSO “REAL” E O “IRREAL”

Ao nos iniciarmos na metafísica aprendemos sobre o “mundo real” e o “mundo irreal”, sobre o “homem real” e o “homem irreal”. Por enquanto pode ser necessário fazermos esta distinção entre o que aparece a nós como um mortal (um ser humano) e o tipo ideal de homem, que chamamos homem-Cristo, o mais elevado ideal de ser individual que pode ser concebido.

Quando estamos neste caminho como neófitos ou mesmo iniciados, podemos fazer aquela distinção e falar em termos de “realidade”, “homem real” ou “universo irreal”. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Isto poderia dar-nos a entender que existem dois mundos, mas é somente um meio temporário destinado a separar o nosso pensamento da crença de que o ser humano mortal, pecador ou doente, é criação de Deus. Assim, no início de nosso estudo e prática, seremos capazes de olhar para esse mundo humano e dizer: “Obrigado, Pai. Eu sei que isto não é obra de Suas mãos!”

De fato, Deus nunca creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus. Tal conceito se baseia em nossa bagagem cultural, em fatores hereditários e em nossas experiências humanas na vida. Por exemplo, se alguém tiver sido roubado algumas vezes, não confiará mais em nenhuma pessoa, ou se tiver sido enganada repetidamente, não acreditará mais em ninguém. Também pode ocorrer o extremo oposto: a pessoa que tenha conhecido somente pessoas de integridade, nunca pensará na possibilidade de existir a desonestidade ou existirem pessoas que intencionalmente prejudicam os outros. Em ambos os casos os conceitos mantidos por aquelas pessoas foram consequência do ambiente e experiência por que passaram.

O mesmo se aplica a cada um de nós. Os conceitos que mantemos do mundo e de tudo que nele existe são moldados pelo meio-ambiente, pelas influências hereditárias e pela educação que tivemos. Todos esses fatores contribuem na formação dos conceitos que retemos do universo.

O quadro que temos à frente, do bem e do mal humanos, é este o mundo “irreal” sobre o qual ouvimos falar em metafísica, e que a maioria dos metafísicos interpreta como um mundo que não existe, ou como um homem que não existe e que não é o homem-Cristo. Isto não é verdade. A única irrealidade sobre este universo e sobre o homem que estamos vendo é somente o nosso conceito, e não aquilo que realmente lá se encontra.

Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os temos “mundo real” e “mundo irreal, “homem real” e “homem irreal”, homem material e homem espiritual.



O HOMEM ESPIRITUAL E O UNIVERSO ESPIRITUAL ESTÃO AQUI E AGORA

Ao se elevar neste caminho espiritual, você fará uma grande descoberta. Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo espiritual: para alcança-lo você não precisará nem morrer e nem mesmo tornar-se alguém que você já não seja agora. A única coisa necessária é abandonar os falsos modelos da humanidade, os medos infundados e a ignorância da existência de um Princípio que a tudo governa.

Não temos de nos tornar algum outro além do que já somos a fim de recebermos a orientação divina, a sabedoria divina, a proteção divina e o suprimento divino. O porque disso é que tão logo nós relaxamos o pensamento humano, isto é, os pensamentos de medo e de dúvida, tão logo aprendemos a soltar a crença num poder separado de Deus e retornamos descontraidamente ao estado natural e normal do ser, passamos ao reconhecimento: “Ah, sim, Deus é!”. E é quando o mundo todo de temores, ansiedades e dúvidas humanas desaparece juntamente com toda necessidade de planejamentos ou programas de caráter humanos.

Não há necessidade alguma de ficar pensando sobre o amanhã, pois a cada minuto de cada dia eu recebo um impulso para fazer o que deve ser feito naquele momento. Nenhuma obstrução existe, pois nada há em meu pensamento que possa barrar o fluxo desse Impulso divino. Não há hesitação ou indecisão, já que não existe nenhum sentimento de que eu tenha de realizar algo através de minha ingenuidade humana. Portanto, com esta conscientização, eu me torno uma transparência para o Impulso divino, e Ele mantém todo o desenvolvimento através do tempo.

Tendo esta conscientização, atingimos um conhecimento mais profundo do plano divino para o mundo e desta forma ficamos relaxados, depositando nele toda a nossa confiança.

O mesmo se aplica às suas atividades, no lar e nos negócios do mundo. No estágio onde, pela metafísica, você é denominado “homem humano” ou “homem pensante”, muito do seu tempo é perdido no planejamento de cada dia, em preocupações sobre o que irá fazer no ano seguinte, ou sobre o que deveria ser feito com relação a isto ou aquilo em seu mundo pessoal. Este é o estado ou estágio de consciência em que você é um mortal, um ser humano. Mas através da metafísica, você aprende que há um “homem real” e passa a erguer imediatamente um ideal, visualizando Jesus Cristo, ou alguma outra pessoa, ou visualizando a si próprio se aproximando daquele estado de espiritualidade e divindade atribuído ao homem real. Isto, por algum tempo, atenderá seu objetivo dando-lhe um ideal em cuja direção irá caminhar.

Mas queremos lembra-lo que durante todo o tempo você é aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. No instante em que aquilo for percebido, você ficará descontraído, soltando tudo o que constituía a sua humanidade – suas preocupações, receios, dúvidas, ansiedades, medos e planejamentos. E ao mesmo tempo em que o falso senso de humanidade se vai, você passa a descobrir a si mesmo como sendo aquele homem espiritual, aquele homem real, aquele homem que você estava tentando se tornar.

Você não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e jurisdição divina. Aprenda mais e mais relaxar e deixar que aquela lei se torne visível em sua experiência, operante em sua vida. Você não irá nunca ser transformado em outro homem; mas pelos ensinamentos, estudos, pela prece e meditação, fará desenvolver uma elevada consciência da verdade: será o mesmo homem, porém sem as suas antigas limitações humanas.

Estou considerando tudo isso para deixar clara a resposta sobre a diferença entre a visão psíquica e a visão espiritual, pois uma vez atingida a conscientização de que exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria manifestação de tudo que Deus é, então você deixará de lado todo o mundo psíquico com suas visões, cores, ou desejos de ver algo de qualquer natureza.


A VISÃO ESPIRITUAL

A verdade é que você tem sido sempre aquele “homem real”, embora não tivesse a consciência desse fato. Mas quando aquele momento de consciência vier, você olhará para este mundo e perceberá:


"Este é o mundo que Deus creou; este é ele. A mente humana não o está vendo como ele é, mas apesar disso, este é ele. A mente humana não me vê como eu sou, mas eu sou Ele (soham). Se olhar para o espelho e tentar encontra-Lo, eu não serei capaz de vê-Lo, pois novamente estaria tentando localizá-Lo. Estaria novamente olhando para um conceito e tentando encontra-Lo, aquele que está aqui como a própria presença de meu ser. Como poderia ser eu algum outro além do que Eu sou? E aquele Eu é a manifestação de tudo que Deus é: Aquele Eu é o Cristo, e Eu sou Ele. Neste momento de conscientização, eu encontro-me relaxado, e Eu sou Ele."

Esta é a razão pela qual no início de seu ministério Jesus falava somente do Pai interior, negando a sua humanidade. “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.” Ele proclamava que aquilo que o mundo via como um ser humano não era, em si ou de si mesmo, a realidade do ser, mas apenas o veículo ou transparência através do que o ser real era manifestado.

Mas como encerrou Jesus o seu ministério? “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o pai... Eu e o Pai somos um.” (João 14:9; 10:30). Nesta visão final, ele contou a eles a verdade total: despojado dos temores e ansiedades humanos, dos traçados e planejamentos humanos, o Eu que eu sou é aquele próprio Ser espiritual.

Tem sido dito que a mais elevada concepção é aquela que permite o olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Este estado espiritual está muito acima do mental ou psíquico, e é o estado que nos possibilita a olhar a cada homem e mulher do mundo e dizer: “Eu estou olhando a face de Deus”. Você somente conseguirá realizar isto quando sua própria consciência estiver despida de desejos, quando você não desejar mais nada dos outros, quando você puder olhar para o mundo sem aspirações, luxúria, animalidade, ódio ou medo. Você será a mesma pessoa que há vinte e cinco anos poderia ter olhado para o mundo e visto alguém a quem cobiçasse ou alguém que lhe causasse medo, mas agora você a olharia dizendo: “Eu vejo a face de Deus!”. Percebeu o que eu quis dizer? Não há dois de você. Há apenas um, e Eu sou aquele um.

Mas você é aquele um somente na proporção em que tiver crescido através de todos esses ensinamentos espirituais ao lugar que poderá olhar para o mundo sem desejar algo, ou sem cobiçar as coisas carnais, sabendo que na realidade de seu próprio ser a realização de Deus é feita manifesta, e que tudo que lhe for necessário tornar-se-á manifesto no momento adequado. Seja dinheiro, companhia, transporte – ou qualquer outra necessidade – Deus dá expressão a Si mesmo como ser individual, como o meu ser individual e como o seu ser individual. Ao assimilarmos isto, estaremos de posse da mais elevada revelação da verdade espiritual. Não existe céu e terra; não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e Eu sou Ele.


O Mestre do Cristianismo nos deu dois grandes ensinamentos:

1) Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. (Lucas 10:27)

2) Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (I João 4:20)

Se nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus que nós não vemos, se Deus e homem são um? Ao senso finito, que vê através de limitada visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós devemos honrar ao homem com Deus feito manifesto de forma visível.

GRATIDÃO

Como nós amamos a um indivíduo? Precisamos compreender a individualidade como sendo Deus, compreender que Deus é o ser individual – e a única individualidade que há. Tal individualidade aparece infinitamente, e ela surge como o seu eu individual e como o meu eu individual. Portanto, ao honrar e respeitar o indivíduo, estaremos cultuando Deus.

Eis o porque de eu vir dizendo que o primeiro dever do discípulo ou estudante é o da gratidão. A gratidão deve ser expressada tangivelmente, e isto não pode ser feito num plano abstrato. Portanto ela precisa ser expressada a um indivíduo. Somente expressando gratidão a um indivíduo, estará você expressando gratidão à individualidade de Deus numa de suas formas. Você estará reconhecendo a Deus como a origem daquilo pelo que você está agradecido.



Nunca deveríamos dar ou receber dinheiro, tomar algum alimento ou bebida, sem que houvesse um momento de reconhecimento e de gratidão àquela infinita Fonte que também é a Fonte de nosso ser. Se isso, porém, for feito, mas falharmos em sermos igualmente gratos ao indivíduo pelo qual o bem vem a nós, a nossa gratidão ficaria no plano do abstrato. Estaríamos com a cabeça nas nuvens sem manter os nossos pés no chão.

Há diversas maneiras ou formas para expressarmos gratidão a um indivíduo. Uma delas, naturalmente, é através do dinheiro; uma outra é pelo reconhecimento. Reconheçamos a parte que cada um de nós toca na vida das outras pessoas e sejamos desejosos de fazer com que nossa gratidão flua a elas em alguma forma tangível. Poderia ser em forma de serviço, em forma de palavra falada ou mesmo em forma de dinheiro. Qualquer forma que seja, ela deve acontecer, deve ser expressada, e deve ser expressada a um indivíduo a fim de ser ofertada a Deus, pois Deus aparece a cada um de nós como o indivíduo.

Omar Khayyam teve a visão correta ao dizer: “O paraíso é uma visualização dos desejos realizados”, e você e eu estamos no paraíso no exato momento em que sentimos estarmos vivendo a vida para a qual fomos trazidos para viver, e nós sabemos quando aquilo está acontecendo pelo sentimento de retidão existente em nossas vidas. Não há alegria real na realização de um trabalho que não gostamos, mas quando amamos o nosso trabalho, não vemos a hora de executá-lo. Naquele senso de retidão nós encontramos o nosso céu, a nossa harmonia. Omar Khayyam teve esta mesma visão quando escreveu: “Um pedaço de pão, um copo de vinho, e você”. Naquela simples experiência de uma companhia humana, naquele preenchimento das necessidades físicas de alimento e bebida, ele via um senso de felicidade, um senso de paz e de contentamento. Era uma visão mística, não contendo maior sensualidade do que o Cântico de Salomão. Era algo espiritual, traduzido à linguagem cotidiana da experiência humana.

Se eliminássemos aquela experiência humana de todos os dias, como iríamos poder experimentar aquela coisa transcendental chamada felicidade ou paz mental? Não, é justamente nessa vida comum de todo dia, nos simples e pequenos gestos de cortesia, bondade, estima, gratidão, ajuda e cooperação, que nós por fim encontramos nossa paz espiritual? Somente nessas pequenas coisas humanas de lugar comum, nesses relacionamentos humanos, iremos por fim encontrar a nossa paz espiritual e a divindade do nosso ser.



ATINGINDO A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL


É preciso que nós acabemos com o mistério do “homem real” e do “universo real” para conscientizarmos que este é o paraíso, exatamente aqui e agora. Se não estamos encontrando o paraíso aqui, isto não significa que existe algum outro mundo que devemos procurar ou que existe algum outro homem no qual devemos nos tornar. Precisamos somente relaxar a nossa humanidade, despindo-nos dos temores, preocupações e dúvidas de natureza humana. Mas isso não pode ser feito simplesmente com o poder de nossa vontade. Só há um meio de se perder o senso humano ou mortal de existência, e é estarmos conscientes de uma Presença que nós conhecemos e compreendemos ser Deus. Aquela consciência é atingida através de nossa receptividade, através de meditação e ponderação das verdades da Escritura ou da literatura espiritual.

Não se trata de afirmar ou negar algo até que uma verdade seja memorizada e enraizada na mente humana. Trata-se de um ponderar suave, calmo e pacífico dessas verdades espirituais até elas serem absorvidas de forma a se tornarem parte de nossa consciência. Assim, nós adquirimos a convicção da presença de Deus; experimentamos e sentimos realmente aquela Presença, perdemos todo o falso senso humano, aquele senso humano negativo, e nos encontramos numa condição considerada pelo mundo como um estado de boa humanidade, mas que na realidade não se trata daquilo, absolutamente: trata-se da divindade do nosso próprio ser, feita manifesta. Tal divindade apresenta-se como você e eu, individualmente – o Verbo se torna carne e habita entre nós, e aquele Verbo se faz carne como você e como eu.

Observe que não é nossa intenção tentar destruir ou mesmo inativar a mente humana. O nosso esforço está voltado na direção de nos tornarmos cônscios da verdade espiritual; nós tentamos adquirir a consciência da paz, quando então a mente humana passará a ser o que lhe fora destinado a ser originariamente – um veículo de nossa sabedoria e conhecimento. De forma similar, nosso corpo não desaparecerá em virtude do atingimento da consciência espiritual, mas atuará como era pretendido inicialmente, ou seja, como veículo de nossa expressão individual.

"Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; e, antes que tu saísses do teu seio, te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações" (Jeremias 1: 5).

Conscientize-se, agora, de que antes da concepção deve ter havido uma consciência que a causou, uma consciência que formou o seu corpo. Nós, como pais, não poderíamos formar um corpo nem para nossos próprios filhos, embora possamos ser veículos através dos quais aquilo pode ser feito. Uma consciência formou aquilo que somos. E esta só poderia ser a Consciência divina, que nos formou conforme os Seus padrões, e que nos mantém e sustém sob custódia. O que vem ocorrendo, no transcorrer desses anos todos, é que temos assumido toda a responsabilidade de nossos trabalhos, esquecidos de que aquilo que nos formou como seres individuais, dando-nos forma e corpo, e que aparece ao mundo como creação, foi um estado de consciência executante de um plano eterno. Portanto, o que foi formado é homem espiritual.

“E te estabeleci profeta entre as nações.” A consciência que o formou, formou-o como uma entidade espiritual, como um profeta, ou como um estado perfeito de consciência.

"Não digas: Sou um menino; porquanto a tudo o que te enviar irás, e dirás tudo o que eu mandar" (Jeremias 1: 7).

Em outras palavras, há sempre esta consciência infinita, eterna, imortal e espiritual, que age, fala e desempenha como sendo você. Nós é que nos mantínhamos separados d’Ela, assumindo todo o trabalho como quis fazer o filho pródigo. Mas, através deste ensinamento, estamos retornando ao Pai-consciência e começando a nos conscientizar: “Ora, eu sou aquele profeta, eu sou aquele vidente espiritual perfeito.”.














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sábado, 24 de junho de 2017

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA (Joel S. Goldsmith) - Capítulo 10 -






                           - Capítulo 10 -

               ADQUIRINDO A CONSCIÊNCIA DO BEM




A Consciência é o segredo real do mundo. Quando você pensa estar em busca de Deus, na verdade o que você está buscando é uma compreensão da Consciência, porque a Consciência é Deus; Deus é Consciência. Quando tiver encontrado o significado interior da Consciência, você terá encontrado Deus, terá descoberto a sua própria consciência.



Agora você poderá entender mais de perto aquilo que venho repetindo diversas vezes, que o objetivo deste trabalho não é o de lhe dar mais verdades além das que você já conhece. Estou certo de que você já conhece tudo o que há para ser sabido das palavras da verdade. Isso está amplamente disponível, não apenas em meus textos, mas em muitos outros. Assim eu volto a dizer: o objetivo deste trabalho não é adicionar uma só palavra ao seu conhecimento intelectual da verdade, mas acelerar a expansão da consciência – o desenvolvimento da consciência divina como sua consciência individual.

A chave daquilo que denominamos "demonstração", ou seja, uma vida feliz e bem sucedida, uma existência alegre e plena, é a consciência, é a obtenção da consciência do bem numa forma ou outra.

Se me perguntassem qual é o objetivo de nosso trabalho, suponho que responderia: "Nós buscamos por Deus." Para a maioria das pessoas Deus é um termo bastante vago. Você saberia o que fazer com Deus após encontrá-Lo? Realmente, se fôssemos honestos conosco mesmos, nós diríamos: "Estamos buscando um senso de paz, uma consciência de harmonia, de saúde e de plenitude do ser." Poderíamos resumir tudo numa frase: "Estamos buscando uma consciência de felicidade." Se nós estamos felizes, temos todas aquelas coisas, e nossa felicidade incluiria tudo aquilo.


Alguém disse que a felicidade é uma borboleta que, quando perseguida, está sempre além do nosso alcance, mas se nos sentarmos tranquilamente ela virá e pousará em nós. Se é verdade que o reino de Deus está dentro de nós, a felicidade não poderá ser encontrada no exterior. A felicidade é algo que flui do interior de seu próprio ser. Assim, o estado de consciência que está perseguindo sempre a felicidade precisa ser eliminado, e a consciência de ficar sentado quietamente, deixando a alegria vir, precisa ser adquirida.


Nathaniel Hawthorne escreveu: "A felicidade nesta vida, quando vem, vem casualmente. Faça dela objeto de perseguição, e ela nunca será obtida. Tendo por meta algum outro objetivo, muito provavelmente encontraremos o que chamamos de felicidade, sem que tivéssemos sonhado com ela." 

Alcançar a felicidade ou a paz, alcançar a paz da mente ou um senso de plenitude e harmonia, significa, antes de tudo, parar de ficar correndo em volta, parar de ficar tentando obter algo, e, principalmente, aprender a sentar-se calmamente, meditar e ponderar internamente as realidades do Ser, e então deixar que esta felicidade apareça. Dizem que a felicidade é um perfume que você não pode passar nos outros sem que algumas gotas se derramem em si mesmo. Assim, antes deste perfume de felicidade poder vir a nós, precisamos começar a passá-los nos outros.


NADA PODE SER ACRESCENTADO A VOCÊ E NADA PODE SER TOMADO DE VOCÊ


Tudo isso nos faz retornar ao ensinamento do Mestre: "O reino de Deus está dentro de vós"; ele deve fluir do seu interior. Nada pode ser-lhe acrescentado, nada pode ser-lhe tirado: você é eternamente pleno e completo. Sempre que formos meditar precisamos nos lembrar desta verdade: não existe nada "fora" ou separado de nós que possa ser obtido. Precisamos apenas obter a consciência daquilo que estamos buscando, para descobrir que já o temos. Nunca nos esqueçamos de que para trazermos melhoramentos nas nossas atividades precisamos começar de onde nos encontramos neste momento. Não ficamos sonhando com o que virá a acontecer após atingirmos uma compreensão maior, ou após permanecermos mais um ano neste trabalho.

Por exemplo, se o problema for de saúde, nós devemos nos sentar, e exatamente no ponto em que estamos agora, começamos a nos conscientizar de toda a verdade que conhecemos sobre Deus e Sua creação infinita. Não esperamos até amanhã, não esperamos até conhecer melhor a verdade, até sermos mais espirituais ou mais merecedores. Sentamo-nos exatamente agora e usamos o pouco da verdade que conhecemos. Se não conhecemos mais do que aquilo, colocamos aquele pouco para funcionar. Tomamos tudo que dispomos da verdade e passamos a utilizá-lo. Sentamo-nos e ponderamos a verdade sobre Deus, a totalidade do Ser espiritual, a verdade que a ilusão não é poder, doença não é poder, pecado não é poder, e portanto, não podem causar nada. Este é o modo com que nós começamos a construir esta nova consciência da totalidade de Deus, a qual inclui a totalidade da saúde, a totalidade da harmonia, a totalidade da abundância, e o consequente "nada" de todo poder que ameace obstruir a operação desta Totalidade.

Se o problema for de suprimento, devemos imediatamente utilizar toda a verdade que conhecemos, pondo-a em ação executando tudo o que possa ser feito no momento. Pode acontecer de termos de começar com o trabalho mais humilde do mundo, mas isso não teria nenhuma importância – mesmo que ele não fosse remunerado. O que deve ser feito é nos mantermos ocupados com ele, conhecendo aquele grão de verdade, e continuando nele. Portanto, construímos uma nova consciência de atividade, de emprego, de renda e de tudo o que existe.

Do mesmo modo, se desejarmos um corpo cheio de vida, útil e ativo com o passar dos anos, não o conseguiremos simplesmente com a obtenção de um melhor corpo: podemos praticar exercícios, fazer dietas e construir um bom corpo físico, e até conseguir obter certa medida de longevidade, mais cinco, dez ou quinze anos. Mas no trabalho espiritual o nosso objetivo é outro. Nossa meta é atingir um sentido espiritual de corpo, uma consciência espiritual de corpo, de modo que esta consciência possa mantê-lo infinitamente, eternamente e harmoniosamente. Para isso temos de obter uma consciência de eternidade, de imortalidade e de perfeição corporal. O segredo da obtenção de saúde ou suprimento não está na obtenção da saúde ou suprimento em si, mas sim na obtenção da consciência de saúde e da consciência de suprimento.


A SUA CONSCIÊNCIA DA VERDADE SE TORNA A SUBSTÂNCIA DE SUA DEMONSTRAÇÃO

Percebeu agora como é importante a consciência? Aprender a mudar nossa consciência é realmente e verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho, pois todas as forma discordantes de nossa experiência não passam de nossa consciência errônea de tudo aquilo que está aparecendo para nós. Tentar obter uma aparência melhor não resolverá o problema. Por exemplo, se você estiver morando numa casa que não é do seu agrado, mudar-se para outra melhor não será uma satisfação permanente. Não é essa a solução. A solução é adquirir, primeiramente, uma consciência melhor de casa; então uma casa melhor aparecerá.




Esse mesmo princípio é aplicável no caso de você estar insatisfeito com seu negócio, atividade ou profissão. Você deve obter uma consciência melhor, livre daquela insatisfação, e assim o bem desejado em si poderá ser experimentado.


Ficou claro? Você pode começar exatamente aqui e agora pela conscientização de que o segredo para a obtenção de algo está em se atingir, em primeiro lugar, a consciência daquele algo. Por que isto? Porque a consciência é Deus, e no momento em que você tem consciência de uma coisa, a consciência a cria, seja "ela" qual for – lar, companhia, suprimento, emprego, saúde, eternidade, imortalidade. Sua consciência a construirá. "Com toda sua posse tenha compreensão" (Provérbios 4: 10). Com todo seu poder, consiga uma consciência do bem, e então o bem se seguirá.

Assim que você adquirir a consciência daquele algo, ele passará a ser produzido por aquela consciência: a consciência se torna a substância de sua demonstração. Se pudéssemos contar-lhe que o que você foi ao nascer e o que determinou o seu aspecto foi o seu próprio estado de consciência, você poderia achar que tal fato é inacreditável que você nada tinha a ver com o assunto. Isto se deve ao fato de você acreditar que seu início foi no momento de seu nascimento, ou em alguns meses antes, mas a verdade não é esta. Você tem existido com Deus desde "antes que Abraão existisse", e portanto, o estado de consciência em que você se encontrava antes do nascimento foi a causa daquilo que você agora está demonstrando, e o estado de consciência que você conseguir no próximo ano ou nos próximos dez anos determinará a aparência do seu corpo, negócio, lar, relacionamentos familiares ou nacionais.

Você acredita realmente e verdadeiramente que é a sua própria consciência que governa a sua vida? Pode alguém duvidar? O ensinamento integral de 'O Caminho Infinito' está baseado na premissa de que a Consciência é Deus, e aquela Consciência, sendo universal, é a sua consciência individual. Daquele ponto de vista, você deveria possuir um corpo perfeito, um negócio perfeito, um lar perfeito, uma vida perfeita.

À medida em que você for se tornando mais e mais consciente da natureza infinita de sua própria consciência, o efeito irá aparecendo em sua experiência sob infinitas formas. Quanto mais a sugestão mesmérica ou crença universal numa egoidade apartada de Deus atuar em você, mais a sua demonstração será governada pela crença do mundo, em vez de sê-lo pela sua própria consciência infinita. Em uma época de depressão, se você encontrar-se sem trabalho, significa que você tornou-se vítima da crença mundial, em vez de demonstrar que as crenças mundiais não possuem poder algum sobre você, por ser a sua consciência a lei sobre o seu ser.

Isto de maneira alguma nega o que ensinam as escrituras. No Gênesis, foi dado a nós o domínio sobre tudo neste universo, desde o fundo do mar até as estrelas do firmamento. Também é certo que o ensinamento do Mestre não nos deixa ser vítimas de tiranos ou ditadores. Ele nos ensinou que não pode haver poder algum sobre nós, a menos que seja o do Pai, mas para demonstrarmos esta verdade nós precisamos ter a consciência dela. O simples fato dela ser verdade não realizará a obra: é a sua consciência da verdade que realiza a obra.














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sexta-feira, 23 de junho de 2017

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA (Joel S. Goldsmith) - Capítulo 9 -




                             -Capítulo 9 -



A NATUREZA DO INDIVÍDUO COMO CONSCIÊNCIA



É provável que o ponto mais importante da vida espiritual venha a ser a questão: “Que é Deus?”. A pesquisa dos diferentes conceitos de Deus indica que para algumas pessoas Deus é visto como Mãe; para outras é visto como Pai; para algumas é considerado como Mente, Lei ou Princípio; e por fim algumas O consideram Pai-Mãe. Se o conceito for iluminado, um termo não será mais importante ou adequado que o outro, mas a nossa maneira de considerar frequentemente limita o nosso conceito do Infinito a uma forma finita.


A maior declaração jamais feita sobre o nome ou natureza de Deus diz que, se você puder dar-Lhe um nome, aquele não é Ele. E isto é verdade. Se der a Ele um nome, você estará batizando algo além de você próprio, e aquele não poderá ser Deus, pois o próprio Ego que está dando aquele nome não é outro senão Deus. Da mesma forma não poderá haver realmente uma busca pela verdade porque aquele que está buscando é a verdade. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14: 6). Como poderia eu buscar a vida eterna, se eu próprio sou aquela vida eterna?




A NATUREZA DE DEUS


Qualquer nome ou termo que pudéssemos aplicar a Deus seria errôneo em si, pois implicaria em dualidade. Sob este ponto de vista há uma experiência interessante do líder hindu Ramakrishna, que viveu no final do último século.


Desde criança, quando já ajudava no altar do templo, ele sentia profunda aspiração por Deus, sentia-se faminto por Deus. Como um dos deuses da Escritura Oriental era conhecido por Mãe Kali, esta era a designação usada por Ramakrishna quando se referia a Deus. Ela passou a ter tamanha realidade para ele que todas as suas preces e devoção eram dedicadas a ela.


Certo dia, uma mulher de grande elevação espiritual veio a Ramakrishna e se ofereceu para erguê-lo ao mais alto grau de consciência espiritual, onde ele se conscientizaria de sua unidade com Deus. Ramakrishna aceitou e a mulher permaneceu por algum tempo com ele, meditando junto dele até que sua consciência lhe permitiu dizer: “Ah, eu sou!”. Ele teve a plena conscientização de que eu e o Pai somos um – “Eu sou Ele” (Soham). Porém, posteriormente, conta-se que naquele estado de consciência onde não havia nenhuma Mãe Kali ele passou a sentir solidão, e voluntariamente abandonou sua consciência da unidade absoluta para retornar ao senso de dualidade.


Na Índia, um dos termos mais destacados para Deus é Mãe. Às vezes a palavra Pai é empregada, mas a designação “Mãe” é a que prevalece. Este ensinamento hindu atingiu a Europa e alguns europeus também passaram a pensar em Deus como Mãe. Mas a fim de apreender uma ideia mais clara da totalidade de Deus, mais tarde muitos europeus adotaram a designação Pai-Mãe, que é hoje empregada em muitos lugares. Embora esse termo tivesse sido inicialmente introduzido neste país pelos Quakers, que o criaram do conceito oriental de Deus como Mãe e do conceito ocidental como Pai, ele é muito frequentemente usado na Ciência Cristã e na Unidade.


No Antigo Testamento você verá que Abraão falava de Deus como Amigo. Este foi o seu conceito desta Presença e Poder espiritual – Amigo. E ele conversava com Deus como se o fizesse com um amigo.


Para Jesus, Deus era considerado como Pai, e este conceito é encontrado em todo o seu ministério. “O Pai que está em mim...”(João 14: 10)... “Meu Pai trabalha até agora.”(João 5: 17). Sempre seu relacionamento com Deus era como se Deus fosse um Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai... “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?”(João 14: 9-10). “Eu e o Pai somos um.”(João 10: 30). Dos registros do Evangelho de João somos levados a crer que antes da crucificação, Jesus havia conscientizado sua unidade com Deus, vendo que tudo da natureza humana era somente um vidro embaçado através do que a Infinitude estava aparecendo. Ele aprendeu a não ter desejos conscientes, mas a deixar-se conduzir por Deus, conscientizando não haver Deus e ele, mas que realmente Deus é tudo que existe. De Jesus nós recebemos o ensinamento: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14: 6)... “Eu sou a videira, vós sois os ramos” (João 15: 5). Todo o seu ensinamento está fundamentado no Eu Sou.


Como estudantes da sabedoria espiritual, todos vocês já sabem da existência de muitos estados e estágios de consciência. Para alguns, Deus é claramente compreendido quando visto como Mente. Há outros que só conseguem visualizá-Lo como Princípio ou como Lei do universo. Existem ainda aqueles que amam a natureza – plantas, flores, e árvores – e têm um conceito de Deus como Vida, a suave Vida que a tudo permeia. Nesses casos, cada um está interpretando Deus de acordo com seu próprio estado de consciência.


Há pessoas que entram nesta vida sob o ponto de vista de devoção ou religião, e para estas Deus permanece como Deus, e nenhum outro conceito consegue satisfazê-las. Alguns podem entender Deus como sendo o Cristo, e isto os satisfaz. Por outro lado, há muitas pessoas em metafísica que nunca aceitaram o Ser supremo sob as letras D-E-U-S e nem mesmo como o Cristo. Para elas, Deus deve ser encarado como lei, mente ou princípio. Mas aquele é um estágio temporário, pois uma vez ocorrida a conscientização de Deus, uma vez que Deus tenha se tornado uma experiência viva, nunca mais poderá ser visto como mente ou princípio. Passará a ser um terno amigo, a Alma, um divino amor, e outras denominações, que para aqueles que ainda não tiveram aquela experiência, não fazem qualquer sentido. É muito fácil falar de Deus como sendo Amor, mas será um termo sem significado, a menos que você O sinta realmente.




TENDO A EXPERIÊNCIA DE DEUS


O propósito ou objetivo de se seguir o caminho espiritual não é ser capaz de atribuir um nome a Deus, mas é ter a experiência de Sua presença, e então deixar que Deus seja para nós tudo o que Ele possa fazer-Se manifestar como, pois a cada um Deus Se revela e Se desdobra de uma maneira individual. A mais elevada prece, a mais elevada meditação, ocorre quando eliminamos inteiramente todas as opiniões pré-concebidas, pensamentos, formas ou nomes para Deus e nos tornamos receptivos, dizendo: “Pai, revela-Te.”


Isto não quer dizer que Deus é Pai no sentido de um pai humano, porque ninguém poderia sonhar com um Deus meramente como um pai de natureza masculina e nem poderia falar de Deus como Mãe pensando em termos de mãe humana. O termo Pai-Mãe simplesmente denota as qualidades especiais de Deus. Quando nos referimos a Deus como Pai, naturalmente pensamos num forte poder em que podemos confiar, num poder que nos ampara e nos mantém, ou mesmo num poder disciplinador; quando nos referimos a Deus como Mãe, naturalmente pensamos em Deus como uma suave presença ou influência protetora; quando nos referimos a Deus como Pai-Mãe, pensamos em todas estas qualidades que nos circundam, formando uma nuvem em volta de nossos ombros e uma luz em nossos pés.


Uma vez que tenhamos realmente sentido e compreendido que Deus não é nem pai nem mãe, que Deus não é uma pessoa em qualquer sentido da palavra, e tenhamos lançado fora todas as nossas ideias a respeito do que é Deus, deixando que Deus se revele, Se manifeste, então Deus virá como um “sentimento” e uma “consciência” , e nunca mais levantaremos na mente a questão do que venha a ser Deus ou qual o nome ou termo a Lhe ser atribuído.


O meu conceito de Deus é de uma presença e sentimentos indescritíveis. Eu não conheço Deus a não ser através de um “sentimento”. Eu “sinto” a Presença em todo o meu ser, em meu tórax, na ponta dos pés. Não importa qual seja a circunstância externa, mesmo nos casos em que desarmônica, eu me mantenho sempre consciente desta Presença – uma sensação, um sentimento, uma consciência.


Este assunto da natureza de Deus tem sido ampliado, não para que você possa ganhar um maior conhecimento da verdade, mas para que muitos atinjam uma elevação de consciência que permita ter uma experiência real de “sentir” Deus e possam finalmente dizer: “Eu vi Deus face a face”. Isso virá a acontecer com todo aquele seguir o caminho espiritual. Terá erguido sua consciência ao ponto em que Deus é uma realidade, e se alguém lhe perguntar “O que é Deus?”, ele apenas sorrirá, pois não haverá mais nada que ele pudesse fazer. Eu não saberia o que dizer diante da pergunta “O que é Deus?”, porque após sentí-Lo não se consegue mais definí-Lo. É impossível fazê-lo. Não existem palavras para descrevê-Lo e nem maneiras de ilustrá-Lo para alguém mais. É preciso haver uma experiência individual.


Somente quando atingimos aquele desenvolvimento que nos permita entrar em meditação e pedir: “Deus, revela-Te!”, e sentimos Sua presença é que passamos a ter uma compreensão espiritual.


Todo o objetivo de nossa estada neste plano da vida é alcançar aquela conscientização de Deus. Quando isso acontece e nossa unidade com Deus é sentida conscientemente, todas as discórdias, erros e desarmonias desaparecem, e Deus Se torna a vida de nosso ser, a sustentação, o suprimento, a sabedoria, a diretriz e a inteligência; Deus Se torna a natureza suave e pacífica de nosso ser; e além disso, há uma compreensão total de que aquilo tudo é Deus aparecendo como. Ao sentirmos a presença de Deus passamos a saber que toda a nossa experiência é fruto daquela Presença e que sempre nós A teremos conosco: “eu nunca o deixarei e nem o abandonarei.” (Hebreus 13: 5).


Uma vez que tocado por aquele Algo, você saberá que Ele está presente e que nunca o deixará e nem o abandonará. É verdade que você poderá passar horas, dias ou mesmo semanas em que dirá: “Eu me sinto totalmente isolado de Deus”. Você poderia realmente sentir-se daquela forma; sentir-se como um ser humano deixado perdido no mundo, sem base alguma. Mas ela retorna muito, muito rapidamente e logo você percebe que não estava realmente afastado daquela Presença; apenas ela estava momentaneamente além de seu alcance, quando a pressão externa era muito forte.




QUEM SOU EU?


Devemos passar a considerar a nossa posição em relação a Deus. Até agora, falamos de Deus conosco; falamos de Deus permeando o espaço todo. Porém, quem sou eu e onde estou eu?


Passe a olhar o seu dedo do pé e pergunte a si mesmo: “Aquilo sou eu?”. A resposta logo há de vir: “Não, não sou eu; aquilo é meu.” Então dirija sua atenção para o pé e verifique se ele é você ou se ele é seu. Continue investigando até o topo da cabeça, e verifique se você pôde se localizar em alguma parte do corpo ou se descobriu que você não está no corpo, mas que o corpo está/pertence a você.


Você não irá se achar no corpo, porque não está nele. O corpo é seu, mas você não se encontra no corpo. A razão disso é que você é consciência, você é inteligência, e não se pode confina-las na carne. A consciência governa o corpo; ela não está confinada em um corpo. Como poderia a inteligência, uma qualidade da consciência, estar confinada dentro de um cérebro ou de um estômago?


Você é consciência. Como podemos saber disto? Você está consciente: você está consciente do seu corpo; você está consciente da sua família; você está consciente de sua nação; você está consciente dos oceanos, estrelas, sol, lua – de tudo que está incorporado dentro da consciência que você é. Se eles não estivessem em sua consciência, você não poderia estar consciente deles. No momento em que você começar a compreender isto, passará a ver que você não está localizado em uma poltrona ou mesmo em uma sala. Exatamente onde você se senta é a terra toda, incorporada dentro de sua consciência; portanto, você deve ser maior que a terra para poder contê-la dentro de sua consciência.




A NATUREZA DA CONSCIÊNCIA


A Consciência que constitui o seu ser é infinita; e através dela você toma conhecimento de tudo o que existe neste mundo presente e também de tudo que já existiu no passado ou que virá a acontecer no futuro. Nada poderia estar fora da faixa da consciência infinita. Quando você se torna cônscio da natureza infinita do seu ser como consciência, você passa a perceber que é sua consciência que engloba e incorpora tudo o que se relaciona com a sua experiência – seu corpo, lar, negócios e outras atividades referentes a você. A consciência que constitui o seu ser governa todas estas atividades.


Ao considerar o tema da consciência, você estará tratando com infinitude, eternidade e imortalidade. É esta a consciência que você é, a consciência que você não pôde encontrar no seu corpo, mas que encontrou englobando, não apenas o seu corpo, mas o seu universo inteiro. Assim que você começar a conscientizar que a natureza do seu ser é consciência, passará a ter a compreensão de que você, por si, é imortal, eterno e infinito. Um conhecimento meramente intelectual deste fato nada fará para você. Deverá haver uma conscientização interior desta grande verdade antes que você possa “sentir” a presença desse poder atuando como sua consciência individual.


Esta consciência age através da inteligência, age como mente, e age de forma mais poderosa, clara e correta quando nos colocamos num estado de receptividade para a sua ação. No cenário humano existe a ação da mente carnal, uma mente que faz algumas vezes coisas maravilhosas para você, mas que em outras vezes o coloca em dificuldades. Esta mente dá a você condições de realizar algumas coisas notáveis, mas o sucesso atinge determinado ponto e estaciona, e então suas limitações se tornam visíveis.


A mesma mente, porém, quando dotada de sabedoria espiritual, quando começa a extrair a infinitude, já deixa de ser a mente carnal humana. Ela ainda se expressa como mente individual, mas deixa de planejar, delinear, raciocinar, programar ou pensar. Passa a ser um estado de receptividade, um instrumento da Inteligência divina, sempre sendo dirigida para seguir o rumo certo.


Quando a mente se torna este estado de receptividade à orientação divina, obviamente ela não será conduzida para desejar obter fama ou fortuna através de meios ilícitos. Quando alguém abre sua consciência a esta orientação divina, é preciso compreender que toda bênção que lhe for trazida individualmente se estenderá a todos os que com ele estiverem associados. Aqui reside a diferença entre a atividade da mente humana, guiada por razões humanas, e a atividade de sua mente individual, quando é desejosa de receber instruções da Inteligência infinita, da Sabedoria infinita.


Este é o motivo pelo qual eu trato amplamente desse assunto da consciência. Já vimos que Deus deve ser revelado a cada um de nós, não como um nome, mas como uma experiência, um “sentimento”, e agora quero fazer saber que quando aquilo acontece, vem na forma de uma Consciência infinita, uma Consciência infinita que você reconhecerá ser a sua própria consciência. Então ela será imbuída não apenas de inteligência, sabedoria e instrução, mas também de suavidade e proteção – tudo que for necessário para o desenrolar harmonioso de sua existência, não apenas do “berço ao túmulo”, mas desde “antes que Abraão existisse... até a consumação dos séculos.” Todo aspecto de sabedoria, orientação e segurança – tudo se encontra naquela consciência que você é.




A CONSCIÊNCIA SE DESDOBRA COMO FORMA


Observe agora o que acontece! No instante em que você adquire o primeiro vislumbre de que Deus é a sua consciência, você começa a compreender aquele ponto máximo com que iniciamos este trabalho específico, isto é, que não existe qualquer poder ou valor no efeito, já que todo o poder e todo o valor estão na consciência produtora do efeito. Você passa a observar que onde quer que você esteja, ali é “solo sagrado”, e que a Onipresença junto a você – a Onipresença como você – já possui tudo o que for necessário para o momento, em termos de suprimento, saúde, conhecimento ou proteção. Seja qual for a necessidade, você a encontrará suprida na Onipresença de você próprio, não dependendo de pessoas, lugar, coisa, circunstância ou condição. Quando você captar este sentido de se ver como consciência, ou de visualizar a consciência como realidade do seu ser, onde você estiver, a totalidade da infinitude divina estará ao seu alcance. E realmente começará a compreender as promessas bíblicas: “Eu nunca o deixarei nem o abandonarei... Quando tu passares por entre as águas, eu serei contigo, e os rios não te submergirão; quando andares por entre o fogo, não serás queimado, e a chama não arderá em ti.”


O primeiro passo em sua conscientização de ser consciência começa por pesquisar, “dos pés à cabeça”, se você pode ser encontrado em alguma parte do corpo. Você verá então que não está em um corpo, mas que está consciente do corpo, e além disso perceberá estar “do lado de fora” como consciência, lá onde não poderá ser tocado por coisa alguma de natureza finita ou errônea.


Tente captar a visão do significado da consciência, pois ela se expressará a você ou através de você como sua própria sabedoria, como sua própria vida, e trará com ela a sua própria imortalidade, sua própria eternidade e sua própria infinitude. Ao começar a perceber a si próprio como consciência, você estará começando a conscientizar que Deus é a própria fibra de seu ser, a própria substância de seu corpo. Com essa nova compreensão, você olhará para o mundo e verá tudo como sendo formado daquela consciência, e portanto como um instrumento de Deus, nunca do mal.


Os três hebreus caminharam através da fornalha incandescente, sem serem afetados pelo fogo ou pela fumaça, pois conheciam a Deus como o poder de todo efeito e, vestidos com tal capa protetora, não viram o fogo como sendo um elemento maligno. Viram-no somente como uma atividade da consciência, como uma qualidade da consciência.




DEUS É O ÚNICO SER


Quando esta ideia de unidade e totalidade da consciência despontar, surgirão muitas experiências de cura, proteção e orientação. Em dado momento, o estudante que estava ajudando alguém com um problema físico, teve a conscientização: “Eu sou o ser único, Eu sou tudo que existe. Há somente um Eu, e, portanto, se não é uma verdade para este Eu que eu sou, então este problema não é verdade para mais ninguém.” Aquela conscientização trouxe um alívio imediato, e logo em seguida veio a cura.


Outro caso de cura com uma conscientização similar ocorreu num caso de câncer. A pessoa que havia realizado a cura contou-me que tinha lido “A interpretação espiritual das Escrituras” e que havia percebido claramente que o livro expunha sobre o único Eu. Quando a pessoa que vinha por vários anos enfrentando um problema de câncer solicitou a sua ajuda, veio-lhe a conscientização: “Eu não tenho esta condição; isto não faz parte do meu ser, e como este é o único ser, como poderia fazer parte do ser de alguma outra pessoa?”. Na manhã seguinte a cura estava concretizada; a coisa toda tinha desaparecido.


Estes foram dois casos que aconteceram graças à conscientização da unidade e totalidade da Consciência. Note que se existe uma só Consciência e que Esta é infinita, tal Consciência deve ser você. Se alguém lhe disser que está doente ou que é pobre, você saberá que aquilo não pode ser, pois existe somente um Eu infinito, uma Consciência infinita, aparecendo em todas as Suas infinitas manifestações, mas que permanece ainda como o único Eu, que é aquele Eu que eu sou.


Quando alguém lhe solicitar ajuda, não deverá haver um senso de algum paciente vir ao praticista, e de um praticista de alguma forma a entrar em contato com Deus para que o paciente seja curado. Não existem Deus, praticista e paciente: Existe somente Deus; e apenas com esta conscientização é que a cura científica poderá acontecer. Em caso contrário, teríamos uma pessoa doente que dependeria da compreensão e habilidade do praticista para alcançar a Deus e trazê-Lo ao paciente. Muitas coisas estariam erradas naquele quadro. Não existe praticista e não existe paciente: Existe somente Deus, e esta conscientização deverá vir em todo tratamento, em toda tentativa de estabelecer a harmonia nas atribuladas situações humanas.


Quando você estiver tratando de sua própria vida, com seus relacionamentos familiares ou com os seus negócios – até mesmo com seus relacionamentos familiares ou com os seus negócios – você deveria praticar o exercício de viajar pelo seu corpo de cima abaixo e procurar nele o seu próprio ser; e então, ao vir que aquilo não é possível, faria a pergunta: “Onde eu estou?”, ou, “Quem sou eu?”, ou ainda, “O que eu sou?”, e então conscientizaria que o Eu é Deus. Ao adquirir aquela visão, você terá resolvido integralmente o problema porque prontamente irá ver que não pode haver espaço para Deus, Ser infinito, e para algo ou alguém mais ao lado d’Ele.


Todo relacionamento desta vida se baseia na crença de que há dois ou mais de nós – dois ou mais de nós no lar, dois ou mais de nós nos negócios. Por outro lado, toda verdade espiritual está baseada no fato de que há somente um Eu, uma Consciência, uma Alma, um Espírito, e eu sou aquele que Eu sou. Tudo que é do Pai é meu – tudo que é verdadeiro para o Eu é verdadeiro para o filho.


A nossa dificuldade surge quando, após termos feito aquela declaração e conscientizado aquela verdade, nós nos envolvemos de alguma maneira com os mortais, com o quadro mortal. E é onde nós perdemos a demonstração, pois aquilo não pode ser feito. Os mortais constituem a ilusão; constituem o que não tem existência. Como seria possível vincularmos uma verdade espiritual com aquilo que não tem existência? Não o tente. Isto não pode ser feito. Você não pode curar um ser humano. Se isso pudesse ser feito, Deus já o teria feito muito antes que o tentássemos. A essência e substância do trabalho de cura está na conscientização de que não existem seres humanos e que Deus é o único ser infinito.


Nós todos conhecemos estas verdades espirituais, mas sempre caímos numa armadilha. Após termos conhecido esta verdade, nós ficamos a imaginar: “Bem, mas o que fazer com o meu paciente que não está respondendo?”. Nós não temos um paciente! Se tivermos tal pensamento, se retivermos qualquer pensamento sobre um paciente, nós não temos o direito de sermos praticista, pois ainda não possuiremos uma compreensão do único Eu, do único Ego, ainda não possuiremos uma compreensão do nosso próprio ser como consciência. Eu sei que isto não é fácil porque se opõe a tudo que os sentidos humanos testificam.


A resposta àquela questão é a resposta ao seu e ao meu problema individual. O mundo todo possui uma crença em alguém apartado de Deus, e está pagando por seu erro/pecado. Estamos todos pagando por tal erro ou pecado. E, enquanto aceitarmos uma egoidade apartada de Deus, sofreremos a penalidade por tal crença. Somente quando despertarmos para nossa verdadeira identidade, entraremos no reino de nossa herança espiritual de harmonia, totalidade, alegria, paz, abundância, e de todo o bem do reino espiritual.


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TRADUÇÃO DE DÁRCIO DEZOLT